LifestyleUma pequena viagem de 300 anos entre o Porto e Gaia 

Uma pequena viagem de 300 anos entre o Porto e Gaia 

A Quinta do Fojo é muito mais do que uma propriedade histórica; é um testemunho vivo de séculos de história e tradição que se entrelaçam com a paisagem exuberante do Porto e Gaia. Desde a sua fundação por William Neville no início do século XVIII, até aos dias de hoje, a Quinta do Fojo tem sido palco de inúmeras histórias fascinantes que refletem a riqueza cultural e social da região.

Localizada entre o Porto e Gaia, a Quinta do Fojo foi inicialmente construída como uma residência de campo pela família Neville, uma linhagem britânica que encontrou em Portugal um novo lar e oportunidades económicas durante a Guerra do Sucessão de Espanha. Ao longo dos séculos, a quinta testemunhou os altos e baixos da história, desde as guerras napoleónicas até à guerra civil portuguesa.

Um dos capítulos mais marcantes da história da Quinta do Fojo foi durante a Guerra Peninsular, quando serviu como quartel-general das tropas luso-britânicas lideradas pelo General Wellington. 

No século XIX, a quinta passou por uma fase de transição, tornando-se um centro de atividade na indústria do vinho do Porto. Com a construção dos Armazéns do Cais Novo, a família Saavedra fortaleceu ainda mais os seus laços com o comércio de vinho, consolidando assim a sua posição na sociedade portuense.

No entanto, não foi apenas a indústria do vinho que deixou a sua marca na Quinta do Fojo. Durante o século XX, a propriedade testemunhou a ascensão da revolução industrial e a modernização da região. Com a construção da Ponte da Arrábida e a inauguração do caminho-de-ferro, a paisagem em redor da quinta começou a transformar-se, refletindo as mudanças que estavam a ocorrer em todo o país.

A transformação do Fojo num espaço mais urbano e a introdução do campo de golfe marcam uma nova era na história da propriedade. Com a ascensão de Manuel Jorge Saavedra e a chegada de José Paulo Lencastre como principais gestores, o Fojo viu um novo capítulo de desenvolvimento.

A partir do final da década de 1970, o Fojo passou por uma série de mudanças significativas. Manuel Jorge Saavedra, solteiro e sem filhos, tinha a incumbência de passar a propriedade ao seu sobrinho Paulo em caso de ausência de herdeiros diretos, e que foi a base para uma série de decisões e desenvolvimentos futuros.

A entrada de um sócio – João Ribas – na história do Fojo trouxe uma nova perspectiva de marketing e publicidade para a propriedade. A parceria entre João Ribas e Paulo de Lencastre resultou em uma série de empreendimentos conjuntos, incluindo uma sociedade para explorar outdoors na autoestrada. Essa colaboração também levou à ideia de desenvolver um campo de golfe na propriedade.

Com a estufa de flores e outras atividades agrícolas já em declínio, a ideia do golfe começou a ganhar terreno. O terreno do Fojo era vasto e diversificado, proporcionando um ambiente naturalmente adequado para um campo de golfe. 

Uma das questões centrais era decidir o posicionamento do campo de golfe dentro da propriedade. Com a consultoria de pessoas experientes como Alfredo Cunha e António Afonso, ambos com vínculos significativos ao mundo do golfe, o projeto começou a tomar forma. José Paulo Lencastre, com sua experiência na gestão da propriedade e o apoio de seu pai, desempenhou um papel fundamental na definição das estratégias e na condução do projeto.

Com o auxílio de Gonçalo Ribeiro Teles, renomado arquiteto paisagista, e Ilídio de Araújo, paisagista histórico, as diretrizes para o desenvolvimento do campo de golfe foram estabelecidas. A visão era criar um espaço harmonioso, integrando o campo ao ambiente natural existente no Fojo.

A transformação gradual do Fojo de uma propriedade rural para um local mais urbano e recreativo reflete não apenas a evolução das necessidades e interesses da família Saavedra e Lencastre, mas também as mudanças sociais e económicas que ocorreram ao longo do século XX.

Essa fase da história do Fojo é marcada pela adaptação e modernização, tornando-se num destino para o golfe e outras atividades de lazer, mantendo ao mesmo tempo sua conexão com a história e a tradição que a tornaram tão significativa ao longo dos séculos.

Hoje, a Quinta do Fojo continua a ser um local de grande importância histórica e cultural. A sua rica herança e beleza natural tornam-na um destino imperdível para quem visita o Porto e Gaia. Seja a explorar os seus jardins exuberantes, a jogar uma partida de golfe, ou simplesmente a desfrutar da tranquilidade de um restaurante no campo, a Quinta do Fojo oferece uma experiência única que cativa os visitantes e celebra a rica história da região.

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